Autor: ad_Starq (Page 23 of 25)

Auscultação sobre abrangência e implementação do Plano de Contingência para o Covid-19 na empresa

OFICIO Nº 15/2020
A.DIRECÇÃO/Lisboa, 11-03-20

Caros/as responsáveis,

O STARQ, face a todas as dificuldades que a epidemia do COVID-19 vem impondo ao normal desenvolvimento da actividade laboral, vem por este meio questionar sobre:

1 – Se a empresa desenvolveu um Plano de Contingência adaptado ao COVID-19.

2 – Se esse Plano de Contingência foi apresentado aos trabalhadores

3 – Se necessário quando se aplicará o teletrabalho? Quais os trabalhadores abrangidos? Quais as actividades que podem ser desenvolvidas por estes?

4 – Se foram apresentadas aos trabalhadores as situações em que podem ficar em isolamento preventivo e os honorários auferidos nessas situações.

5 – Se estão planeados mecanismos para o caso de arqueólogos com direcções científicas ficarem de baixa ou em isolamento preventivo.

6 – Dado que muitos trabalhadores estão em empreitadas cuja Segurança e Higiene no trabalho são da responsabilidade do Dono de Obra ou empreiteiro, se estes são por vós auscultados quanto à implementação do Plano de Contingência na empreitada e sobre a existência de condições mínimas para trabalho (água corrente, disponibilidade de desinfectante, etc).

Atenciosamente,

A Direcção


Substituição da Direcção da DGPC

OFICIO Nº 13/2020
A.DIRECÇÃO/Lisboa, 14-02-20

No fim da tarde de ontem, o Ministério da Cultura anunciou a alteração da Direção da DGPC. O STARQ não pode deixar de lamentar o facto de, mais uma vez, a equipa dirigente do principal órgão da administração central com competência sobre a Arqueologia não contar com nenhum arqueólogo. Esta opção do Governo demonstra falta de visão e de consideração sobre o papel absolutamente central que a Arqueologia desempenha na gestão do Património Cultural nas sociedades contemporâneas.

Por outro lado, as escolhas do Ministério da Cultura demonstram um claro favorecimento da área da gestão financeira e do negócio imobiliário. É inacreditável que sejam estes os valores prioritários na gestão do Património Cultural, sobrepondo-se à urgência de uma eficiente e eficaz gestão do património classificado, museológico, imaterial e, evidentemente, arqueológico. Por isso, O STARQ fará chegar ao Governo a sua reacção de profundo desacordo relativamente a estas nomeações.

O STARQ continuará a desenvolver uma firme ação junto do Ministério da Cultura e da DGPC, em defesa dos trabalhadores de Arqueologia que aí trabalham, dos arqueólogos cuja atividade a DGPC tutela e da salvaguarda e valorização do Património Arqueológico.

A Direcção


Interface – Boletim do STARQ N.º 3 – Janeiro de 2020

Editorial

Os problemas que atingem os trabalhadores de arqueologia são variados, tendo o STARQ agido, tal como se pode observar neste Boletim, com um enorme dinamismo. Um primeiro, e importantíssimo, nível de acção é aquele que directamente lida com os problemas laborais comunicados directamente pelos trabalhadores (pagamentos em atraso, vínculos precários, não respeito pela lei laboral…). Todas as questões desta natureza foram resolvidas de modo favorável para o trabalhador, uns após comunicação com a entidade patronal e outros após decisão judicial. Note­se que a totalidade dos custos jurídicos foram integralmente suportadas pelo STARQ. Uma segunda esfera de actuação engloba o sindicato e as entidades patronais. Essa rela­ ção, que se pretende civilizada, positiva e frutuosa, tem como objectivo melhorar as condições em que os trabalhadores de arqueologia exercem a sua actividade mas, também, pretende dignificar o trabalho e a importância social da arqueologia. Neste âmbito estão a ser desenvolvidas negociações com a Ministra da Cultura, de modo a reforçar os quadros da DGPC, MNA e Conímbriga, o que teria um impacto não só nos funcionários destas instituições, aliviando­lhes a carga laboral, mas também nos trabalhadores em arqueologia empresarial e investigadores, já que se voltaria a uma fiscalização activa dos

trabalhos arqueológicos e tempos de resposta da tutela aceitáveis. Os membros do STARQ também têm vindo a reunir de modo a criar um Caderno Reivindicativo que será usado nas negociações com vista à contratação colectiva em meio empresarial. O último nível de acção é mais vasto e por vezes mais discreto já que se situa na esfera das escolhas políticas para o Emprego e Cultura. Para combater o que o STARQ considera um desinvestimento intencional na Cultura e na falta de vontade política em criar um programa cultural estruturado o STARQ tem vindo a reunir com ministros, secretários de estados, deputados e outras entidades do sector cultural de modo a mostrar alternativas e pressionar para a mudança. Para um trabalho digno em arqueologia não basta actuar judicialmente sobre as consequências da precariedade mas também mudar consciências e vontades. Um trabalhador com um vínculo estável, que lhe permita ter uma vida familiar e pensar a médio/longo prazo é um trabalhador mais feliz, saudável e eficiente. É também essencial que se valorize o trabalho em arqueologia, e por consequência os seus trabalhadores, como uma actividade relevante tanto na Cultura como na Sociedade portuguesas.

(L.M.C)


XII Congresso da União de Sindicatos de Lisboa

No dia 23 de Novembro o STARQ foi convidado a estar presente no XII Congresso da União de Sindicatos de Lisboa.

Pela voz do seu presidente, Regis Barbosa, foram apresentados os problemas dos trabalhadores de arqueologia. Agora o seu discurso pode ser ouvido e lido por todos.

“Camaradas,

É com muita satisfação que o STARQ (Sindicato dos Trabalhadores de Arqueologia) está presente, hoje, no XII Congresso da União de Sindicatos de Lisboa.

A Cultura, como sabemos, é um dos elementos basilares da nossa democracia. Neste sentido, sem cultura não há democracia, não há igualdade. O Património Arqueológico não só proporciona fruição a quem visita, como é um dos primeiros constituintes da nossa identidade. A protecção, conservação e o conhecimento do património arqueológico possibilita perceber o nosso Passado e quem somos hoje.

Apesar de toda esta importância, a Arqueologia é marcada pela precariedade e pela falta de investimento público.

No sector privado, os trabalhadores de arqueologia vivem num terrível panorama onde os baixos salários se somam à precariedade. A ausência de contratos de trabalho através da utilização dos falsos recibos verdes é muito comum e tem que ser combatida!

Por outro lado, no sector público, a falta de trabalhadores é dramática. A ausência de recrutamento leva ao avultado envelhecimento dos trabalhadores e à ruptura dos serviços. Neste momento o Estado não cumpre a sua missão de defesa e protecção do Património Arqueológico e o que atinge é à custa dos trabalhadores que frequentemente trabalham horas a mais sem receber qualquer pagamento por isso.

Contra isto continuaremos a luta! O STARQ tem organizado os trabalhadores no sentido de defender os nossos direitos. No último ano conseguimos eleger delegados sindicais, temos conseguido defender os trabalhadores precários através do apoio jurídico que proporcionamos. No ano passado, o STARQ e os trabalhadores de Arqueologia fizeram a primeira Greve específica de trabalhadores de Arqueologia!

A situação não é fácil, mas sem a luta com certeza seria muito pior!

Deixo ainda um agradecimento ao STEFFAS, que solidariamente cedeu espaço para termos a nossa sede. Também agradecemos à CGTP-IN que tem dado todo o apoio ao nosso sindicato.

Viva o XII Congresso da União de Sindicatos de Lisboa!

Viva a CGTP-IN!

A luta continua!”

Comunicado de Imprensa do STARQ – a arqueologia e a defesa do património cultural dos Açores

OFICIO Nº 22/2019
A.DIRECÇÃO/Lisboa, 25-07-19

O Sindicato dos Trabalhadores de Arqueologia (STARQ), no sentido de apoiar a defesa do património cultural açoriano, por via do incentivo à garantia de incremento e aumento dos recursos humanos regionais, na área da Arqueologia, decidiu proceder a uma sondagem de capacidades, junto das entidades públicas da Região Autónoma dos Açores, designadamente perante as dezanove Câmaras Municipais do arquipélago e o Governo Regional.

Os arqueólogos e arqueólogas têm um papel absolutamente central na preservação do património cultural, móvel, imóvel e imaterial, conforme pode ser comprovado pelos mais variados diplomas legais da matéria1, que elencam de forma específica a sua missão, bem como a responsabilidade das entidades públicas, principalmente municípios, em garantirem a contratação destes profissionais para os seus quadros – o que se torna particularmente relevante quando se levantam questões sensíveis no que concerne ao planeamento urbano, muitas vezes destrutivo do património cultural, nomeadamente o arquitetónico, devido à falta da devida assessoria técnica.

Nesta medida, o STARQ informou o Governo Regional que estava a proceder, junto de cada município, à colocação das seguintes questões:

  1. Que capacidade própria tem o município, em termos de recursos humanos, para dar resposta à necessidade de elaboração das “Cartas de Risco Arqueológico”, conforme a lei2 determina?
  2. Qual o planeamento do município relativamente à promoção e realização de trabalhos arqueológicos na área do concelho?
  3. Qual o planeamento do município relativamente à contratação de Arqueólogos (técnicos superiores na área de Arqueologia) para os seus quadros?

Também no âmbito das suas funções, e considerando as particularidades da RAA, no que concerne às questões de insularidade e ultraperificidade, não obstante da sua inegável, e já reconhecida internacionalmente, riqueza patrimonial arqueológica, terrestre e subaquática, o STARQ colocou, diretamente ao Governo Regional, as seguintes questões:

1. Quantos arqueólogos realizaram trabalhos arqueológicos, em meio terrestre, desde a transferência de competências, consagrada na Lei n.º 19/2000 de 10 de agosto, na Região Autónoma dos Açores?

2. Quantos arqueólogos realizaram trabalhos arqueológicos, em meio subaquático, desde a transferência de competências, consagrada na Lei n.º 19/2000 de 10 de agosto, na Região Autónoma dos Açores?

O STARQ está também consciente, e pretende apoiar a consciencialização da Administração Pública da Região Autónoma dos Açores, de que o incentivo à fixação e contratação dos profissionais de arqueologia em particular, e dos profissionais das áreas do Património Cultural em geral, permite incrementar as boas práticas no setor, e a melhor elucidação do público em geral acerca das suas origens e identidade(s), aclarando considerações duvidosas e sensacionalistas, que têm vindo a encontrar o seu espaço na comunicação social e, por conseguinte, na opinião pública menos esclarecida.

Com os melhores cumprimentos,

A Direção do STARQ


NOTA DE IMPRENSA Processo negocial entre o STARQ e o Ministério da Cultura sobre a falta de trabalhadores em Arqueologia na DGPC

Na sequência da reunião entre o Sindicato dos Trabalhadores de Arqueologia (STARQ) e a Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) realizada no dia 16 de Abril de 2019, da greve dos trabalhadores de arqueologia da DGPC realizada no dia 23 de Abril de 2019 e da reunião entre o STARQ e Secretária de Estado da Cultura realizada no dia 30 de Abril, o STARQ solicitou à DGPC informações sobre o andamento dos procedimentos de recrutamento que se tinha comprometido implementar.

Entretanto, hoje 18 de Julho realizou-se a segunda reunião de negociação sobre a falta de trabalhadores de arqueologia na DGPC, entre o STARQ e a Secretária de Estado da Cultura.

Relembra-se que na reunião de 16 de Abril a DGPC não conseguiu dar resposta às exigências do STARQ no que respeita ao diagnóstico apresentado sobre a falta de trabalhadores de arqueologia. Contudo, e ainda assim, a DGPC assumiu com o STARQ os seguintes compromissos no que respeita ao reforço de recursos humanos a desenvolver entre Junho e Dezembro de 2019: (i) 3 arqueólogos, por mobilidade; (ii) 1 conservador-restaurador para o CNANS, por concurso público; (iii) 1 investigador em paleobotânica para o LARC, por concurso público; (iv) 3 arqueólogos e 2 conservadores-restauradores, no âmbito do fundo de financiamento do projecto EEA GRANTS.

Relativamente ao recrutamento por mobilidade de três arqueólogos, embora com considerável e injustificada demora, foi publicado na Bolsa de Emprego Público no início de Junho uma Oferta de Emprego relativa ao “recrutamento por mobilidade, com vista ao preenchimento de três (3) postos de trabalho na carreira e categoria de Técnico Superior, para exercer funções na área de Arqueologia, no Departamento de Bens Culturais, da Direção-Geral do Património Cultural”. A Secretária de Estado informou o STARQ que o processo se encontra na sua fase final, garantindo que em Setembro estes trabalhadores já estarão ao serviço.

Manifesta-se desde já maior estranheza pelo demonstrado carácter não urgente que o calendário deste processo demonstra, não obstante a extraordinária urgência em recrutar estes trabalhadores e o estado calamitoso da gestão da actividade arqueológica e da salvaguarda do património arqueológico sob responsabilidade do Departamento de Bens Culturais da DGPC, devido ao escasso número de arqueólogos afectos a estas funções.

De facto, o STARQ tem conhecimento da total falta de capacidade de resposta da DGPC, com a generalização dos deferimentos tácitos no que respeita aos pedidos de autorização para trabalhos arqueológicos e o incumprimento de prazos na apreciação de relatórios de trabalhos arqueológicos e de processos de obras e operações urbanísticas em áreas e imóveis classificados. O principal lesado desta situação é o Património Arqueológico, uma vez que os instrumentos legais para a sua protecção não estão a funcionar.

Mas são também prejudicados: (i) os arqueólogos que não conseguem respostas atempadas, nem qualquer acompanhamento do seu trabalho, por parte da DGPC e que, em virtude destes bloqueios, vêem em risco o seu contrato e posto de trabalho; (ii) as empresas de arqueologia cujo funcionamento e facturação decorrem da gestão da actividade arqueológica que compete à DGPC; (iii) os promotores, os empreiteiros, os agentes económicos, pois dependem da DGPC enquanto entidade reguladora e necessitam de processos administrativos rápidos, eficientes e atempados; (iv) os cidadãos, primeiros e principais detentores do Património Cultural que assim se vê em risco.

Relativamente ao recrutamento por concurso público de um (1) conservador-restaurador para o CNANS, a Secretária de Estado da Cultura assegurou que este procedimento seria aberto em Setembro, mas numa primeira fase, apenas para trabalhadores que já tenham vínculo público.

O STARQ lamenta que não se tenha optado de imediato pelo “concurso externo”, o que assim só ocorrerá numa segunda fase, uma vez que é do conhecimento comum que não existem da administração pública conservadores-restauradores com perfil curricular adequado. Esta demora é muito gravosa atendendo, por um lado, à grave situação do CNANS no que respeita ao défice de recursos humanos especializados e, por outro, à aproximação da (também escandalosamente retardada) mudança de instalações daquele serviço.

Quanto ao recrutamento por concurso público “externo” de um (1) investigador em paleobotânica para o LARC, lamentavelmente, foi comunicado ao STARQ que ainda se aguarda a autorização do Ministério da Finanças. A demora no recrutamento deste investigador, posto de trabalho vago desde Julho de 2015 (!), tem consequências muito negativas para este laboratório que não consegue cumprir as competências que por lei lhe estão atribuídas.

No que se refere ao recrutamento de trabalhadores de arqueologia no âmbito do projecto EEA GRANTS (3 arqueólogos e 2 conservadores-restauradores), foi comunicado ao STARQ que se encontra em elaboração o perfil destes trabalhadores, ou seja ainda decorre a fase preparatório do processo de selecção. Embora não tenha sido comunicado ao STARQ o calendário neste caso, foi assegurado que em Janeiro de 2020 os trabalhadores já se encontrarão ao serviço.

Neste contexto, e considerando a necessidade imperiosa e já amplamente demonstrada de constituição de um conjunto permanente de postos de trabalho especializados afectos ao CNANS, o STARQ reafirma a posição já anteriormente veiculada.
– A contratação temporária de técnicos para funções permanentes não colmata a situação deficitária existente;
– Estes cinco trabalhadores deverão ser recrutados com contrato de trabalho (neste caso, o regime adequado é o contrato em funções públicas a termo resolutivo certo). A Secretária de Estado da Cultura informou o STARQ que esta exigência já tinha sido transmitida à equipa que gere o projecto;
– Na reunião de hoje foi reafirmado pelo STARQ que a selecção dos trabalhadores a contratar deverá ser pública e decorrer com transparência, exigência e justiça, ou seja, nos termos da Lei, no âmbito de um procedimento concursal de recrutamento;
– Durante a vigência destes contratos e do projecto EEA Grants deverá decorrer a transição destes postos de trabalho para vínculo laboral estável, ou seja, para contrato em funções públicas por tempo indeterminado.

Caso estas condições não sejam cumpridas, o STARQ desenvolverá todas as acções que a Lei coloca à sua disposição para combater processos de selecção opacos e contratação de trabalhadores para desenvolverem tarefas permanentes do serviço com recurso a mecanismos inadequados, ilegais, ilegítimos e imorais.

Conforme acordado na reunião de 30 de Abril passado, o STARQ compareceu na reunião de hoje com o Governo na expectativa de avançar com o processo negocial relativo à exigência de contratação de mais 11 novos trabalhadores de arqueologia para os serviços centrais da DGPC (4 arqueólogos, 1 conservador-restaurador, 3 técnicos de documentação e arquivo e 5 investigadores em Arqueociências), de forma a assegurar o adequado cumprimento das competências legais desse organismo público. Relembra-se que no passado dia 28 de Maio a Ministra da Cultura reafirmou na Assembleia da República que este valor – mais 11 trabalhadores além dos 10 já garantidos – é o que está em negociação com o STARQ.

Encontra-se igualmente por concretizar a contratação de 20 trabalhadores para o Museu Nacional de Arqueologia e de 3 trabalhadores para o Museu Monográfico de Conimbriga, para suprimento de necessidades imperiosas de serviço, como aliás tem sido recentemente noticiado na comunicação social.

A respeito de todas estas contratações, não obstante mais de dois meses e meio decorridos, a Secretária de Estado da Cultura informou o STARQ que ainda não dispõe do levantamento das necessidades globais de recursos humanos nos serviços do Património Cultural afectos ao Ministério da Cultura. Ou seja, apesar de ser frequentemente proclamada uma alegada consciência da gravidade da situação de recursos humanos nestes serviços e a tentativa insistente de solucionar o problema, hoje como em Abril passado, nem os serviços competentes (Direcção-Geral de Património Cultural e Direcções Regionais de Cultura), nem a Secretária de Estado da Cultura conhecem as efectivas necessidades dos serviços que tutelam, no que se refere a recursos humanos. Ou seja, o Governo de Portugal desconhece quantos e que trabalhadores precisa de recrutar e para que serviços.

Nestas condições, a Secretária de Estado da Cultura declarou-se incapaz de prosseguir com o processo negocial, remetendo para Setembro a sua continuação. Os seja, os graves problemas na gestão do Património Cultural português continuam em suspenso e por resolver, com todos os danos para o interesse público que daí advêm.

O trabalho dos arqueólogos da administração do Património Cultural é fundamental, necessário e imprescindível. O Património Arqueológico não é irrelevante. É função do Estado protegê-lo, valorizá-lo e divulgá-lo. É de lei nacional e internacional. E é o mínimo que o STARQ e todos os portugueses podem exigir.

Lisboa, 18 de Julho de 2019

STARQ

Interface – Boletim do STARQ N.º 2 – Junho de 2019

Editorial

É com muita satisfação que a direcção do STARQ dá a conhecer o segundo número do nosso boletim. A mais evidente mudança prende­se ao nome, de “O colherim” para “Interface”. Há vários anos a EPA ­ Escola Profissional de Arqueologia – do Freixo mantém uma publica­ ção com o mesmo nome de nosso primeiro nú­ mero, por isto nada mais justo que buscarmos outra inspiração. Sabemos bem como as interfaces são fundamentais na explicação das rela­ ções estratigráficas, pelo que trabalhamos para que possamos aqui debater, reflectir e informar sobre outro tipo de relações, as laborais.

Por outro lado, entre os curtos dias de Dezembro e o meio deste ano os Trabalhadores de Arqueologia avançaram em sua organização e luta por um sector da Arqueologia mais justo. Continuamos a defender os trabalhadores através de nosso apoio jurídico, e igualmente continuamos a dialogar com as empresas e o Estado de maneira a melhorar as condições de trabalho em Arqueologia. Neste sentido, é impossível não destacar um feito histórico, a primeira Greve específica de Trabalhadores de Arqueologia. A Greve dos Trabalhadores de Arqueologia da DGPC, que decorreu no dia 23 de Abril, foi o resultado de um grande esforço, coragem e determinação destes trabalhadores,

que decidiram democraticamente lutar pelos seus direitos e pelo Património Arqueológico. Coube ao STARQ dar todo o apoio possível nesta acção por uma Tutela mais forte, sustentada em trabalho justo para todos. A luta pela contratação de profissionais teve um papel de destaque, dado o descaso e desinvestimento que tem atingido a Tutela nos últimos anos. Temos consciência que os resultados não são imediatos, mas já começam a surgir, nomeadamente através da contratação por mobilidade de 3 arqueólogos. Ressaltamos ainda que as negociações com a Secretária de Estado da Cultura continuam.

Por fim, no dia 30 de Março o STARQ comemorou o seu aniversário de 7 anos no Museu Nacional de Arqueologia. Foram 7 anos de resistência celebrados através da mesa redonda “Percursos do Trabalho em Arqueologia”, que contou com a ilustre presença dos arqueólogos José d’ Encarnação, Susana Correia, Rui Morais e Liliana Matias Carvalho. Ainda há muito para avançar, mas nunca fomos tão fortes neste desafio. Viva o STARQ! Viva os Trabalhadores de Arqueologia!

(R.B.)


Nota de imprensa: Trabalhadores de Arqueologia da Direcção-Geral do Património Cultural

No passado dia 12 de Abril, o Sindicato dos Trabalhadores de Arqueologia (STARQ) apresentou um aviso prévio de greve dos trabalhadores de arqueologia da Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC). Consequentemente, no dia 16 do mesmo mês realizou-se uma reunião de negociação entre o STARQ e a DGPC. Nessa reunião a DGPC revelou-se incapaz de apresentar propostas que se aproximassem das reivindicações apresentadas pelos trabalhadores. No entanto, a DGPC garantiu ao STARQ que: estava, plenamente e há muito tempo, consciente da grave falta de trabalhadores que a DGPC vivia, em todos os seus sectores de actuação; não dependia da DGPC a resolução do problema, mas sim do Ministério da Cultura; frequente e insistentemente vinha apresentando o problema ao Governo procurando soluções; até à data não tinha obtido do Governo apoio na resolução do problema.

Assim, a greve realizou-se no 23 de Abril de 2019. No seguimento do pedido de audiência que o STARQ tinha já efectuado junto do Ministério da Cultura, realizou-se no dia 30 de Abril de 2019 uma reunião entre o STARQ e a Secretária de Estado da Cultura, cujo tema foi, exclusivamente, a situação de grave carência de trabalhadores no sector da arqueologia da DGPC.

É importante esclarecer e sublinhar que a base negocial entre o STARQ e a Secretária de Estado da Cultura parte do compromisso assumido anteriormente pela DGPC no que respeita a reforço de trabalhadores. A 16 de abril a DGPC comprometeu-se a recrutar entre Junho e Dezembro de 2019: 3 arqueólogos, por mobilidade; 1 conservador-restaurador para o CNANS e 1 investigador em paleobotânica, por concurso público; 3 arqueólogos e 2 conservadores-restauradores, por selecção pública, a contratar a termo no âmbito do fundo de financiamento EAA GRANTS (na perspectiva de que estes postos de trabalhos se tornem permanentes durante a vigência do contrato). Portanto, o recrutamento destes 10 trabalhadores de arqueologia foi garantido, nestes termos e com este calendário.

Na reunião com a Secretária de Estado da Cultura, o STARQ reafirmou que a contratação destes 10 trabalhadores não garantia a resolução dos graves problemas que se vivem na DGPC. Assim, foi exigida a contratação de 23 trabalhadores para o Museu Nacional de Arqueologia (20) e Museu Monográfico de Conimbriga (3). Para os serviços centrais da DGPC, o valor mínimo aceitável de reforço de pessoal é de mais 11 trabalhadores. No passado dia 28 de Maio, a Ministra da Cultura reafirmou na Assembleia da República que este – mais 11 trabalhadores – é o valor em negociação com o STARQ.

A Secretária de Estado da Cultura alegou que o défice de recursos humanos não é exclusivo do sector da arqueologia (o que o STARQ considera também uma evidência), logo que só podereria estabelecer um compromisso com o STARQ, em presença do levantamento geral das necessidades em todos os sectores de actuação da DGPC. Assim, foi marcada nova reunião, a realizar no próximo dia 2 de Julho, para que, em posse destes elementos, a negociação possa avançar com base em números concretos.

Sabe o STARQ que a Secretária de Estado da Cultura solicitou à DGPC a apresentação das necessidades globais em termos de recursos humanos e que a DGPC tem vindo a preparar esta informação. Daqui se concluí que, apesar proclamada consciência da gravidade da situação e proclamada insistência junto do Governo para a solucionar, a DGPC não sabia sequer, até à greve dos trabalhadores de Arqueologia, quantos trabalhadores precisa e em que setores. Ou seja, a preocupação da DGPC com a falta de trabalhadores é falsa, vã e inconsequente. Só está agora a debruçar-se sobre o assunto porque recebeu uma orientação superior, da Secretária de Estado da Cultura, nesse sentido.

Entretanto e cerca de um mês e meio após a greve, a situação nos serviços de centrais da DGPC no que se refere à gestão do património arqueológico complicou-se significativamente. Como anunciado, os trabalhadores tomaram a decisão de cumprir estritamente o seu horário de trabalho. Não houve qualquer reforço de pessoal, nem sequer a colocação de 3 arqueólogos por mobilidade, procedimento que pode ser accionado em uma ou duas semanas. Também não foi proposta por qualquer chefia a realização de horas extraordinárias. Como consequência, a ruptura e o caos instalaram-se, nomeadamente na área da gestão da actividade arqueológica e da salvaguarda de áreas classificadas. Os processos em deferimento tácito situam-se na casa das centenas. Com a aproximação no período de férias espera-se novo agravamento da situação.

É importante referir que o principal lesado desta situação é o Património Arqueológico, uma vez que os instrumentos legais para a sua protecção não estão a funcionar. Prejudicados são também os arqueólogos que não conseguem respostas atempadas, nem qualquer acompanhamento do seu trabalho, por parte da DGPC. E também as empresas de arqueologia cujo funcionamento e facturação decorrem da gestão da actividade arqueológica que compete à DGPC. E também os promotores, os empreiteiros, os agentes económicos, os cidadãos, pois dependem da DGPC enquanto entidade reguladora e precisam de processos administrativos rápidos e eficientes atempados e não de ausência total de respostas por parte de um serviço público em colapso.

E é extraordinária, completamente extraordinária, a complacência e inércia da DGPC perante este panorama. Aparentemente, não parece estranhar, nem preocupar-se com a sua total incapacidade de funcionamento.

Os arqueólogos não estão calmos, nem veem com normalidade este estado de coisas. Os arqueólogos lutaram muito para que o país possuísse um sistema de salvaguarda do Património Arqueológico, real, efectivo e operante. Não estão dispostos agora a abdicar dele, em silêncio, como se este fosse irrelevante. O Património Arqueológico não é irrelevante. É função do Estado protegê-lo, valorizá-lo e divulgá-lo. É o mínimo que o STARQ e todos os portugueses podem exigir.

Lisboa, 31 de Maio de 2019

STARQ

Denúncia de prácticas ilegais de detectorismo

OFICIO Nº 12/2019
A.DIRECÇÃO/Lisboa, 21-03-19

Recentemente, o STARQ teve conhecimento de alguns canais da plataforma “YouTube”, onde foram publicados vídeos demostrando práticas de prospecção de terreno, com recurso a detectores de metais e consequentes achados de valor histórico/ arqueológico.

Na sequência da visualização desses vídeos foram identificados vários canais de
“detectorismo”, páginas e grupos de “Facebook” e fóruns existentes na web onde são publicadas imagens/vídeos e textos destas mesmas práticas, listados no final desta denúncia.

A detecção com recurso a este equipamento, sendo ilegal sem a respectiva licença (Lei nº121/99), segundo o artigo 1º, alínea 1, da mesma lei: “É proibida a utilização de detectores de metais na pesquisa de objectos e artefactos relevantes para a história, para a arte, para a numismática ou para a arqueologia”. A amplitude legal sobre estes actos criminosos inclui a Lei nº107/2001, que estabelece as bases da política e do regime de protecção e valorização do património cultural, e o Decreto-Lei nº164/2014, que regulamenta os Trabalhos Arqueológicos.

Os actos observáveis em várias fotos e vídeos das referidas redes virtuais representam um perigo eminente para sítios arqueológicos, visto que a remoção dos objectos metálicos detectados implica a escavação de buracos que podem alcançar os 70 cm de profundidade, de acordo com o que é publicado nas referidas plataformas. Para além da recolha do espólio ser feito de forma destrutiva , o consequente caminho dos artefactos é completamente desconhecido, sendo mais provável ficar, de acordo com o que é relatado, retido em colecções privadas ou vendido para outros coleccionadores/antiquários. Em todas as publicações é claro que os intervenientes têm consciência que estão em sítios arqueológicos e que são conhecedores do significado da maioria dos artefactos recolhidos, particularmente as moedas. O nome dos sítios não é divulgado, mas em algumas situações são referidas as localidades.

No espaço de duas semanas, após o início da nossa pesquisa, houve pelo menos um canal que foi eliminado (o Rabino Edições) e outro que colocou os vídeos de detectores em modo privado (Adegas Crak). Muitos dos grupos no facebook e partes dos fóruns estão vedados, apenas para utilizadores autorizados.

Perante esta situação, solicitamos que actuem sobre os envolvidos, nos termos das vossas competências. Da nossa parte, continuaremos atentos a eventuais publicações e denúncias e mostramos disponibilidade para colaborar.

A Direcção do STARQ

Lista dos canais, páginas e grupos identificados:

Canais Youtube:

Adegas Crak (tem vídeos desde 2014 que neste momento estão em modo privado):
https://www.youtube.com/user/adegas1/videos

Buda & Peste:
https://www.youtube.com/user/astrojoca/videos

Rabino Edições (canal eliminado):
https://www.youtube.com/channel/UChRSECzSCAcDKqJulyqq-gw/videos

Toupeira do Detectorismo:
https://www.youtube.com/channel/UCbxUvst7-0e9jju09FKpfZA

Metal Detecting UK (há pelo menos um vídeo feito em Portugal):
https://www.youtube.com/channel/UCn8jiDQ9W8HQbQK1se42ipg

Pirata 4760:
https://www.youtube.com/channel/UCqoIuVZx21LSaOcuAoyhQjA/feed

Alika Portugal:
https://www.youtube.com/channel/UC3QNgTunNzQk_Q8At83xq3Q

Foruns:

http://prospectordemetal.forumeiros.com/forum

http://detectoresportugal.forumeiros.com/

Páginas/Grupos de Facebook:

https://www.facebook.com/Amigos-Detectores-De-Metais-De-Portugal-
2093126427634954/

https://www.facebook.com/Detetor-De-Metal-Lazer-575274122832475/

https://www.facebook.com/detectoristasblog/

https://www.facebook.com/Detector-de-metaisbusca-de-objectos-perdidos-
443146045834622/

https://www.facebook.com/groups/detectoristasportugal/


Interface – Boletim do STARQ N.º 1 – Dezembro de 2018

Editorial

Iniciamos o primeiro número do “Colherim”, o boletim semestral do STARQ, que pretende ser um veículo de comunicação entre este sindicato
e a comunidade da Arqueologia e do Património, informando sobre as nossas iniciativas e acções, vincando as posições que defendemos e alertando para os maiores problemas do sector.

A sua edição marca o primeiro ano do actual mandato directivo. Um ano assinalado pela conquista de espaço de reivindicação, e até mediático, com várias acções de sensibilização, manifestação e defesa dos trabalhadores no sector privado e no público. O nosso trabalho sindical baseou-se não só na recolha, estudo e discussão de situações e temáticas que afligem a área, mas também em acções concretas de que vos daremos conta no presente boletim. Investiu-se, igualmente, na nossa formação e num trabalho semanal de organização e planificação. O primeiro objectivo passou pela construção de uma base que permita uma maior protecção, capaz de enfrentar a precariedade e

os baixos salários, assente em passos para a realização de Acordos Colectivos. Para tornar mais séria esta meta, levámos a cabo uma campanha de sindicalização que resultou no maior crescimento de associados e quotas desde a fundação do sindicato, em 2014. Este importante reforço permitiu protocolar o apoio jurídico gratuito a vários trabalhadores, com resultados positivos para os mesmos.

Por último, uma mensagem para o próximo ano.
Estamos a trabalhar para a realização de uma série de protocolos a que os nossos sócios terão
direito, de forma a reforçar o apelo para a necessária sindicalização. Quanto mais força tivermos, maior a capacidade de acção para mitigar a gritante e injustificada precariedade dos arqueólogos, antropólogos, conservado resrestauradores e demais técnicos do património. Unidos e Juntos pelo combate à precariedade e defesa dos trabalhadores!

(M.R.)


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