Editorial

Os problemas que atingem os trabalhadores de arqueologia são variados, tendo o STARQ agido, tal como se pode observar neste Boletim, com um enorme dinamismo. Um primeiro, e importantíssimo, nível de acção é aquele que directamente lida com os problemas laborais comunicados directamente pelos trabalhadores (pagamentos em atraso, vínculos precários, não respeito pela lei laboral…). Todas as questões desta natureza foram resolvidas de modo favorável para o trabalhador, uns após comunicação com a entidade patronal e outros após decisão judicial. Note­se que a totalidade dos custos jurídicos foram integralmente suportadas pelo STARQ. Uma segunda esfera de actuação engloba o sindicato e as entidades patronais. Essa rela­ ção, que se pretende civilizada, positiva e frutuosa, tem como objectivo melhorar as condições em que os trabalhadores de arqueologia exercem a sua actividade mas, também, pretende dignificar o trabalho e a importância social da arqueologia. Neste âmbito estão a ser desenvolvidas negociações com a Ministra da Cultura, de modo a reforçar os quadros da DGPC, MNA e Conímbriga, o que teria um impacto não só nos funcionários destas instituições, aliviando­lhes a carga laboral, mas também nos trabalhadores em arqueologia empresarial e investigadores, já que se voltaria a uma fiscalização activa dos

trabalhos arqueológicos e tempos de resposta da tutela aceitáveis. Os membros do STARQ também têm vindo a reunir de modo a criar um Caderno Reivindicativo que será usado nas negociações com vista à contratação colectiva em meio empresarial. O último nível de acção é mais vasto e por vezes mais discreto já que se situa na esfera das escolhas políticas para o Emprego e Cultura. Para combater o que o STARQ considera um desinvestimento intencional na Cultura e na falta de vontade política em criar um programa cultural estruturado o STARQ tem vindo a reunir com ministros, secretários de estados, deputados e outras entidades do sector cultural de modo a mostrar alternativas e pressionar para a mudança. Para um trabalho digno em arqueologia não basta actuar judicialmente sobre as consequências da precariedade mas também mudar consciências e vontades. Um trabalhador com um vínculo estável, que lhe permita ter uma vida familiar e pensar a médio/longo prazo é um trabalhador mais feliz, saudável e eficiente. É também essencial que se valorize o trabalho em arqueologia, e por consequência os seus trabalhadores, como uma actividade relevante tanto na Cultura como na Sociedade portuguesas.

(L.M.C)

boletim-STARQ-003